A Guerreira ta on, mas tá cansada

“Somos irmãs de jornada, cantando todas como uma só Lembrando os antigos caminhos, as mulheres e sua sabedoria, 

Somos irmãs de jornada, cantando à luz do Sol,

 Cantando na noite escura, a cura começou, a cura começou.”  

Canção tradicional dos círculos de mulheres norte-americanas.

Feliz Dia Internacional da Mulher, a todas as mulheres que seguem nesta jornada doida e linda de SER!

Refleti muito sobre esta data em tempos de pandemia, como estamos sobrecarregadas, mais que o normal, como tivemos tanto contato com as nossas sombras e enfrentamos “monstros” nossos e dos demais. Pois é, foi e está sendo um ano desafiador para todas nós. 

Ouvimos e sentimos muito nosso chamado para a nossa Guerreira tomar a frente e sermos mil e uma para todas as demandas impostas; eu pelo menos senti cobranças desnecessárias e fui aos poucos tomando consciência de que a minha guerreira tá on, mas cansada; e com toda certeza vocês já passaram por isso, também. 

Mas, afinal, o que é este arquétipo da Guerreira e como posso de fato utilizá-la no meu dia a dia e como posso reconhecer que ela precisa de um descanso?

Os Arquétipos repousam no inconsciente coletivo, são as experiências vividas por toda história da humanidade, que se repete em diversos aspectos, as imutáveis e fixas.

Quando os vivenciamos, temos a oportunidade de refletirmos e aprendermos com esses aspectos, levando em consideração as suas próprias impressões sobre como rege nessa frequência. 

O arquétipo da Guerreira, selvagem, a independência feminina, representa o equilíbrio das nossas energias (animus e anima). 

Com este equilíbrio das energias, tornam-se grandes líderes e condutoras do caminho do Sagrado, são respeitosas com as pessoas e suas visões do mundo e tratam a todos com muita dignidade. Organizadas e com um senso de justiça muito apurado, tornam-se determinadas e sempre em busca de enfrentar o que consideram injusto. São destemidos e confiantes no que acreditam como correto. 

Raramente buscam a admiração masculina, afinal o seu lado masculino está bem ativo e fomentando o que se faz necessário. Nas relações com os homens está sempre numa competição, seja na vida social ou na sexual. A competição é em busca deste equilíbrio, pois não quer subjugada. 

Fortemente ligada à fertilidade/fecundidade, o poder pleno de criação e execução, acho que esta é uma faceta muito linda da guerreira, pois ela tem o poder de criar e executar ou seja “pau pra toda obra” isso pode ser muito importante quando se trata de resolver questões de trabalho ou até mesmo da família. 

Ama os animais e busca sempre estar em contato com o mais simples. Buscando sempre uma aventura e de estar em contato com a natureza. Ao ar livre ela se sente recarregando as baterias para sua jornada.

Na era moderna, tornou-se uma guerreira tecnológica, conquistando seu espaço no local de trabalho, sendo independente e quase sempre conquistando com muita força uma boa posição de trabalho ou construindo uma empresa bem sucedida. 

As dificuldades que esse arquétipo enfrenta são: ausência de contato direto com a natureza, as aventuras e contato com os animais silvestres, com os quais ela sente uma conexão muito forte e íntima. 

Quando em equilíbrio, é confiante, independente e uma força difícil de barrar. 

Já em desequilíbrio, torna-se amarga, solitária e individualista, prejudicando suas relações com as demais pessoas, pois não consegue comunicar-se sem tornar-se agressiva. 

Sendo assim, podemos, entendemos que de forma sutil nossos comportamentos e atributos de personalidade são representados em diversos arquétipos, que acabam sendo “ativados” para acessarmos as forças necessárias.

Quando as mulheres tomam consciência das forças que a influenciam, elas acessam o conhecimento poderosos que remodelam seu comportamento e ajudam a tornar clara as suas emoções. 

Penso que acessamos este arquétipo quando almejamos ser melhores Heroínas da nossa jornada. Com isso em mente, realizaremos melhores escolhas, ou seja, com consciência na força e potência que eles representam. Temos forças que atuam em nosso íntimo que podem ser ativadas quando estamos em alguma situação ou até mesmo por atitudes de outrem, por isso é importante adentrar no seu íntimo e trazer à tona o que se faz necessário, para saber lidar com as mais diversas situações. 

As mulheres passam por diversas fases na vida, podendo, então, acessar cada arquétipo ou diversos e recebendo essas influências. Refletindo sobre a sua peregrinação de vida, poderá reconhecer diversos deles, e quanto eles foram importantes para trazer clareza e força para cada passo que deu.  

Querida amiga de jornada, te faço o convite de abraçar a sua Guerreira, oferecer um chá, uma massagem, um escalda-pés, uma pausa e ouvir o chamado dela para silenciar um pouco, pois mesmo que tenhamos que  vencer os obstáculos, os compromissos profissionais e esta obrigação exagerada de ser mil em uma, ainda precisamos nutrir nossa guerreira com calma e foco.

Reposicione-se perante a sua vida, abra espaço para os questionamentos e revisão de alianças, convide sua sombra para conversar e libere a sua consciência para desenvolver-se e iluminar a sua jornada. Ao fazermos isso, estaremos indo de encontro com nossa plenitude.

Entender a simbologia e os arquétipos, nos auxilia a compor um padrão, para as características parecidas, nas pessoas que estaremos auxiliando. Pois, ao estudarmos cada aspecto de um símbolo/mito/conto, estaremos analisando um fragmento finito das possibilidades, que esse ainda pode apresentar, pois sempre podemos ter uma nova visão de algo e, também, modificando e criando novas opiniões. 

Seja Heroína da sua andança, chame sua Guerreira para suportar os obstáculos e dê abrigo quando for necessário recuar ou simplesmente retomar o foco. 

Estamos juntas, sempre!

Fabi Vieira

Março/2021

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